CAPITULO 1 - PARTE I

Evangelho segundo João, capítulo 1, versículos 9. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos ...


Evangelho segundo João, capítulo 1, versículos 9. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. 
É no mínimo intrigante, a primeira coisa que vem a mente quando se trata da temática que estou prestes a desenvolver ser uma passagem cristã, levando em consideração que costumo não considerar-me uma pessoa religiosa. Apesar de compartilhar de muitos dos valores cristãos penso-me como um individuo cético em relação à fé, não por ser descrente, mas por acreditar na humanidade, por acreditar nas pessoas, que elas possam fazer o bem e o que é justo uns para com os outros por que é o certo a se fazer e não por que existe uma recompensa no fim da vida ou um castigo.
É impossível ver-me como um modelo a ser seguido, em nenhuma das esferas da minha vida é possível ter esta perspectiva sobre mim. Com certeza eu não sou o melhor aluno da minha classe, também não sou o melhor funcionário no meu emprego, não sou o melhor amigo de nenhuma pessoa que eu conheço, não fui o melhor parceiro para nenhuma das pessoas que me relacionei e também não sou o melhor filho para meus pais. 
Enquanto os estereótipos que pairam sobre mim, em nenhum deles eu sou um modelo. Eu não sou o que se espera de um homem, socialmente acredita-se que ser homem é ser forte, fazer coisas de homem como jogar bola e soltar papagaio e principalmente se relacionar com mulheres, ou com uma mulher, no meu caso eu não faço nenhuma dessas coisas.  Eu também não sou o modelo perfeito de gay, espera-se socialmente que gays se encaixem dentro de alguma das castras da subcultura gbtq+ e eu não sou muito alto, nem muito baixo, eu não sou muito bonito, nem muito feio, eu não sou muito afeminado, mas não sou discreto, não sou muito magro, nem muito gordo, eu sou escuro demais para ser branco e claro demais para ser negro. E no fim, é muito difícil saber quem você é em uma sociedade que define você através de um seríe de características e te coloca em posições em decorrência das mesmas. E fica mais difícil se encaixar quando essas características não estão bem definidas.
Mais complicado ainda é quando a criação que você teve não definiu os valores que você deveria ter e acabou a tendo que aprender através da experiência. A experiência é um modo muito eficaz de aprendizagem, inclusive é a forma mais eficaz para isso, quando o individuo interage com o ambiente e cria esquemas para determinada função, na intenção de adaptar-se ao meio. Apesar de eficaz esse método pode ser extramente doloroso dependo do ambiente em que este sujeito esteja se desenvolvendo.
Mas sabe o que foi mais difícil? Quando meu corpo deveria criar certas proteínas e ele não criou, quando o meu cérebro deveria agir de uma maneira e não ágio, quando meus hormônios deveriam ter determinada função e não tiveram. Sem duvida o meu material biológico não é padrão para o resto da humanidade. Seria ele defeituoso? Por que é tão comum eu ter que redefinir-me, por que sempre sou eu que tenho que me encaixar?
Você provavelmente deve estar pensando que meus questionamentos são infundados e que eu estou muito bem do jeito que eu estou que existem pessoas em situações piores e eu deveria agradecer por ser quem eu sou. Este material, além de ter a função que tem, que mais a frente será exposto, se propõe a mostrar o meu lado da historia, aconselha-se usar aquele pouco de empatia que você nunca usa. Dei-me o privilégio

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